OS GARGALOS DE UMA CIDADE ONDE UM SONHO TA LONGE DE SE TORNAR REALIDADE.
Formosa vive um momento em que uma pergunta começa a ganhar espaço nos bastidores da administração pública: o que estaria faltando para que a gestão municipal apresente mais resultados e tenha maior protagonismo?
Sem entrar na discussão de nomes ou de grupos políticos, uma percepção começa a aparecer entre pessoas que acompanham de perto o funcionamento da máquina pública: a de uma administração que chegou ao poder cercada de expectativas, mas que, ao longo do tempo, teria perdido parte do brilho e da capacidade de apresentar uma marca própria.
Um dos pontos que merecem atenção está justamente na composição da equipe administrativa.
Ao assumir funções de primeiro, segundo e terceiro escalão, muitos profissionais teriam chegado com a expectativa de contribuir efetivamente para a gestão, colocando em prática suas experiências, projetos e ideias.
A expectativa natural era de que, dentro de suas respectivas áreas, tivessem liberdade para tomar decisões, propor soluções e conduzir o trabalho com responsabilidade.
Mas, segundo relatos que circulam nos bastidores, a realidade teria sido diferente para alguns desses integrantes.
A falta de autonomia para conduzir determinadas áreas teria provocado frustração e desmotivação.
Profissionais que aceitaram o desafio de participar da administração, inicialmente acreditando que teriam espaço para trabalhar, teriam percebido, com o passar do tempo, que muitas decisões precisariam passar por instâncias superiores, reduzindo a margem de atuação de quem estava diretamente à frente das secretarias, departamentos ou setores.
E quando um gestor é colocado em determinada função, mas não dispõe de autonomia suficiente para exercer plenamente suas atribuições, surge uma pergunta inevitável: qual é, afinal, a responsabilidade daquele gestor diante da população?
A situação teria levado alguns integrantes da equipe a perderem a motivação.
Outros, diante da impossibilidade de desenvolver aquilo que esperavam realizar, teriam optado pela exoneração.
Não se trata apenas de saber quem saiu ou quem permanece.
A questão mais importante é compreender por que profissionais convidados para participar de uma administração chegam cheios de disposição e, posteriormente, alguns acabam deixando os cargos?
É claro que mudanças em equipes de governo são normais e fazem parte da administração pública.
Secretários e ocupantes de cargos de confiança podem sair por diversos motivos.
Entretanto, quando as saídas começam a ser associadas à falta de autonomia, o fato merece ser observado com atenção.
Uma gestão pública eficiente depende de vários fatores: planejamento, recursos, capacidade técnica, acompanhamento, cobrança de resultados e, principalmente, uma equipe que saiba exatamente quais são suas responsabilidades e tenha condições para executá-las.
Delegar uma função significa também delegar responsabilidades e, dentro dos limites legais, oferecer condições para que aquele profissional possa trabalhar.
Caso contrário, corre-se o risco de criar uma estrutura em que as pessoas ocupam cargos, mas não conseguem imprimir suas próprias iniciativas, tornando a administração excessivamente dependente de decisões centralizadas.
E talvez esteja aí uma das explicações para a sensação de uma gestão que, até o momento, não conseguiu apresentar todo o brilho que muitos esperavam.
Formosa é uma cidade que cresce, possui demandas cada vez maiores e precisa de uma administração capaz de responder rapidamente aos problemas do cotidiano.
A população não espera apenas discursos ou anúncios.
Espera resultados.
Espera que uma secretaria funcione.
Que uma obra avance. Que um problema seja solucionado.
Que o cidadão seja ouvido.
Que os responsáveis por cada área tenham condições de trabalhar e sejam cobrados pelos resultados.
No final das contas, uma administração não é avaliada apenas pela pessoa que ocupa o cargo máximo do município.
Ela é avaliada pelo conjunto da equipe e, principalmente, pelos resultados que chegam à população.
Por isso, talvez seja o momento de a própria administração fazer uma reflexão interna:
Os profissionais escolhidos para ocupar os cargos de confiança estão realmente tendo autonomia para trabalhar?
As decisões estão sendo descentralizadas na medida necessária?
Os secretários e demais integrantes da equipe estão sendo ouvidos?
E aqueles que deixaram seus cargos saíram simplesmente por questões pessoais ou porque perceberam que não tinham condições de desenvolver o trabalho para o qual foram convidados?
São perguntas que merecem respostas.
E mais do que apontar culpados, o importante é entender que uma gestão pública forte precisa de uma equipe motivada, preparada e com responsabilidades claramente definidas.
Formosa tem problemas demais para perder bons profissionais por falta de espaço para trabalhar.
Se existe uma equipe escolhida para administrar, é preciso permitir que ela administre — dentro da lei, das diretrizes do governo e sob a devida fiscalização.
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