INSS "Para tirar do aposentado foi rápido. Para devolver, a espera não tem fim.”



INSS: para descontar do aposentado, foi rápido. Para devolver, a espera continua

Existe uma pergunta que muitos aposentados e pensionistas brasileiros estão fazendo neste momento: por que para retirar dinheiro do benefício sem autorização foi tão fácil, mas para devolver aquilo que foi descontado indevidamente é preciso esperar, contestar, procurar o INSS, ir aos Correios e ainda aguardar uma análise?
O escândalo dos descontos associativos não autorizados atingiu milhões de beneficiários. O próprio Governo Federal reconheceu o problema e criou um procedimento administrativo para possibilitar o ressarcimento dos valores descontados indevidamente entre março de 2020 e março de 2025. Até junho de 2026, segundo o Ministério da Previdência, mais de R$ 3,2 bilhões já haviam sido devolvidos a cerca de 4,7 milhões de beneficiários.
Mas devolver parte do dinheiro não encerra a questão.
No meu caso, procurei cumprir exatamente o procedimento indicado. Fui atrás da solução, fiz a solicitação e aguardei. A orientação oficial informa que, depois da contestação aprovada e da adesão ao acordo, o segurado receberia os valores corrigidos em até três dias úteis.
Entretanto, ao consultar novamente o portal do INSS, constatei que, mesmo depois de 34 dias, meu pedido continua aparecendo como “em análise”.
E aí fica a indignação:
Para descontar do aposentado, não houve demora. Para retirar dinheiro de quem trabalhou uma vida inteira, não foi necessário esperar 34 dias de análise. Mas, para devolver aquilo que o próprio sistema reconheceu como passível de ressarcimento, o cidadão precisa esperar indefinidamente?
Não estou questionando o direito de o INSS verificar os pedidos. 
O que questiono é a demora e a falta de transparência quando se trata do dinheiro de aposentados e pensionistas.
Estamos falando de pessoas que, muitas vezes, dependem integralmente de seus benefícios para comprar alimentos, medicamentos, pagar aluguel, água, energia e outras despesas básicas.
Cada real descontado indevidamente faz diferença.
E quando esse dinheiro precisa voltar para o bolso do aposentado, não podemos aceitar que o cidadão seja tratado como se estivesse pedindo um favor.
Não é favor. 
É dinheiro do beneficiário.
O próprio INSS informa que os Correios foram colocados à disposição para facilitar a consulta e a contestação dos descontos indevidos, justamente para ampliar o acesso dos aposentados ao procedimento.
Por isso, fica aqui o meu repúdio à queles que se aproveitaram da fragilidade de aposentados e pensionistas para realizar descontos sem autorização.
E fica também uma cobrança às autoridades responsáveis:
Até quando o aposentado terá que esperar para receber de volta aquilo que nunca autorizou que fosse retirado?
Se existe prazo para o cidadão cumprir suas obrigações, também deve existir responsabilidade, transparência e respeito por parte do Estado na hora de devolver o dinheiro do cidadão.
O aposentado não quer privilégio.
Quer apenas aquilo que é seu.
E quando se trata do dinheiro de quem trabalhou uma vida inteira, respeito não deveria ser favor. Deveria ser obrigação.
Meu repúdio a toda forma de abuso contra aposentados e pensionistas.

Voz de Formosa — dando voz a quem muitas vezes não consegue ser ouvido.

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